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Um novo olhar sobre o comportamento na escola

A pedagogia sistêmica vem sendo desenvolvida nas últimas décadas em vários países do mundo, é um método educativo, uma prática dinâmica que está vinculada ao contexto educativo e que denominamos campos de aprendizagem. Esta vem ampliando a visão significativa do todo na relação escola-família, trazendo a possibilidade de criarmos a partir da escola um ambiente de inclusão onde todos possam assumir os seus papéis, levando em conta os sistemas familiares, educativos e institucionais. Sua abordagem integra no tratamento, o grupo de origem do individuo, sua família, reconhecendo o que atua no comportamento, atitude, nas dificuldades, doença, conflitos vivenciados pelas crianças. Através do olhar sistêmico familiar podemos trazer à luz a dinâmica escondida no sistema desta criança, o que nos permitirá desenvolver um trabalho efetivo com essa família resgatando a força interior desta família. A capacidade de entender o comportamento desta criança fica ampliada, tornando possível a reconciliação desta com os ela mesma e com seu sistema familiar ,bem como todos que convivem com ela , na escola e em outros espaços sociais.

A Pedagogia sistêmica surgiu dos estudos aprofundados da visão sistêmica no âmbito da pedagogia. Para estudiosos como Alicia Fernandez psicopedagoga Argentina, em seus livros a Inteligência Aprisionada(1991), O saber em Jogo (2001) , ela coloca que o comportamento individual de uma criança pode ser compreendido dentro de um contexto mais amplo envolvendo as relações que o individuo estabelece , iniciando-se no meio familiar. O treinamento em terapia sistêmica fenomenológica, pelo filosofo Bert Hellinger (2007), foi adaptada para ser realizada no âmbito escolar com muito sucesso. Os estudos apontam para maior enfoque nas percepções, permitindo uma visão clara e objetiva dos emaranhados dentro da escola e da educação de um modo geral. No campo sistêmico é possível verificar as origens dos conflitos e experimentar novas soluções, possibilitando uma melhor dinâmica de funcionamento para a instituição escolar e todos os envolvidos nela. Para professora alemã Marianne Franke-Gricksch (2009), que experimentou em sua classe, com alunos adolescentes, os movimentos sistêmicos do filósofo e terapeuta alemão Bert Hellinger, a experiência de Marianne pode ser conhecida pela leitura de seu livro “Você é um de nós – percepções e soluções sistêmicas para professores, pais e alunos”, publicado em 2009 pela Editora Atman. Para ela as constelações familiares permitem revelar o fato de que fazemos parte de uma grande alma que compreende a todos os membros da família, sujeitos a ordem essencial. O sistema de educação, familiar e o social encontram-se em constante interação na sala de aula. A pedagogia Sistêmica vem de encontro com a necessidade de gerar o vinculo entre os professores e os alunos incluindo o seu sistema familiar de origem. Algumas vezes percebemos nossos alunos sendo excluídos, outras vezes observamos que fracassam na escola repetindo apenas padrões ocorridos em seu sistema de origem. Repetem o destino de seus pais, irmãos, tios, avós. Se há inversões de papéis, ou pessoas ocupando lugares que não são os seus, há sofrimentos.

Através das Constelações Familiares Sistêmica, desenvolvida por Bert Hellinger (psicoterapeuta alemão), criador da Terapia Sistémica Fenomenológica (2007), pode-se aplicar a técnica terapêutica para atuar dentro das escolas. Esta técnica permite olhar o indivíduo dentro do seu contexto familiar a partir das relações que estabelece com pessoas da família e com pessoas que não fazem parte da família, através de vínculos de amor e lealdade. A solução para os conflitos e as desordens ocorridas nestas relações se faz através das "ordens do amor", promovendo equilíbrio e harmonia nestes sistemas.

O que é constelação Familiar?

É um método terapêutico que busca reconhecer os emaranhados na vida familiar do sujeito, explorando padrões de relacionamento confusos que afetam o modo de agir, as escolhas, inclusive as decisões. Nas constelações familiares acompanhamos o “movimento da alma”, nos conectando com o que nos apoia e fortalece, buscando possíveis soluções sistêmica. Quando Bert Hellinger desenvolveu as Constelações Familiares (2007), ele descreve três leis básicas que regem o amor:

  • Toda pessoa tem o direito de pertencer a sua família(estabelecido pelo vinculo);
  • Equilíbrio (toda relação para dar certo tem que ter equilíbrio entre o dar e tomar/receber);
  • A Ordem Familiar tem que ser respeitada (cada um no seu lugar, estabelecida pela hierarquia).

Segundo Dr. ULSAMER (2007) Hellinger coloca que há ordens básicas e princípios que se repetem nas relações familiares, algumas com bastante regularidade. As seis ordens e princípios são:

  1. Todos membros de uma família merecem atenção. Se algum membro da família for expulso/excluído por algum motivo qualquer (morte, questões morais, brigas), ele será representado por um membro que nascer mais tarde impondo um destino semelhante para honrar o parente esquecido.
  2. A morte precoce (por aborto, acidente, doenças) tem efeito muito nefasto nos membros que nascem após. Há um desejo forte de seguir o outro, quadros depressivos, desejo morte, uso de drogas, comportamentos expostos ao perigo, etc. Inconsciente é expresso a frase “ Eu sigo você!
  3. Crianças assumem para si sentimentos e dores dos membros mais velhos da família (pais, avós, irmãos mais velhos), na pretensão de que podem amenizar a dor do outro. Geralmente tendem a ficar depressivas, inquietas , não desejam crescer. Inconsciente é expresso a frase “ antes eu do que você”.
  4. As crianças são leais aos seus pais, na maioria das vezes seguem os seus destinos por lealdade.
  5. Cada um tem seu lugar na família (ordem), quem vem primeiro tem prioridade. Quando alguém toma o lugar do outro há muita desavenças na família, brigas, rivalidades, perturbações.
  6. Há uma organização espacial básica que é preferível, os pais ficam a frente e os filhos na ordem cronológica.

Como percebemos para Bert Hellinger o fluxo amoroso dentro de qualquer sistema é assegurado pelo seguimento às Ordens, como a Hierarquia, o Equilíbrio de trocas e a Pertinência. Pensar em hierarquia, significa afirmar que cada um tem seu lugar dentro do sistema.

A Pedagogia Sistêmica promove a aprendizagem dos alunos mediante o trabalho conjunto com os pais , para que aprendizagem ocorra dentro de um contexto harmônico e integro. Possui quatro aspectos básicos para a função da escola:

  1. Para que estes objetivos centrais possam se desenvolver é indispensável que os pais dos alunos se sintam reconhecidos pela instituição e tenham um lugar de privilégio dentro dela;
  2. Deve existir uma declaração explícita no sentido de que a área educativa começa pelos pais e que eles dão seu consentimento para que a escola possa se ocupar de seus filhos com respeito nos processos de aprendizagem;
  3. A escola deve ser exclusivamente um espaço educativo em nenhum momento um espaço terapêutico, apesar de que há certas intervenções sistêmicas com movimentos terapêuticos associados à educação;
  4. No momento em que todos estão no lugar que lhes compete, os alunos aprendem e se desenvolvem sem maiores dificuldades.

Muitas das intervenções criadas para solucionar problemas na relação escola-aluno-família falham devido ao desconhecimento das leis inconscientes que governam o grupo familiar, podemos tomar consciência delas e utilizá-las para melhorar a relação do professor, o rendimento do aluno, os vínculos entre professor-aluno e entre seus pares, e, consequentemente, o sucesso educativo. Atuar efetivamente na inclusão de todos é a grande chave para o desenvolvimento de todo ser humano seja na escola, família ou sociedade em geral.

A Pedagogia Sistêmica mostra que, para que o processo de aprendizagem flua eficazmente, é preciso respeitar as origens e contextos de cada elemento/aluno, ou seja, ter consciência de que cada aluno vem de um contexto específico, fundamental para o seu desenvolvimento, e é preciso estar disponível afetivamente, ter como valores o agradecimento e a admiração, pela vida, pelos pais destas crianças. Assim pode ser aplicada em situações de desintegração, de dificuldades de aprendizagem, de problemas comportamentais, conflitos e quaisquer problemáticas que surjam no sistema escolar direta ou indiretamente. Nas organizações, os efeitos dessas "leis" são observados nas dinâmicas de sucessão e liderança, fusões, contratações, demissões, promoções, capacitação, direitos trabalhistas, etc. Nas instituições de ensino, conhecemos bem as tensões e conflitos criados pelo descaso, precarização e mercantilização da Educação e as consequências daí decorrentes, em todos os níveis. O bulliying é o maior retrato desse caos, agressividade dos alunos para com os professores e entre si. Ao clarificar as funções, papéis e a hierarquia, potencializa-se o sentimento de que todos têm um lugar (inclusão), e evita-se sobrecarregar e tirar a força de diretores, professores e alunos, e da própria aprendizagem. O mesmo para a equivalência entre dar e receber: o que cada um dá e o que cada um recebe na dinâmica da escola? Que parte cabe a cada um, enquanto responsabilidade, e como a escola faz esse reconhecimento?

Outro aspecto que nos faz refletir dentro de uma visão sistêmica, é o alto índice de alunos desmotivados para estudar, para a vida, para o futuro. Em que parte do passado ele está conectado que não consegue caminhar para a vida. O que não é motivador na vida atual deste aluno? Ou que movimento a escola está realizando que acaba excluindo este aluno?

  • A transferência da visão sistêmica da terapia familiar para a docência, permite perceber as pessoas não como indivíduos isolados, mas como parte de uma estrutura inter-relacionada.
  • Como professores o essencial é que tomemos “nossos pais” em nosso coração, para que a partir daí, se abra a sensibilidade com outra ferramenta fundamental, a firmeza. Tomar os pais no coração é concordar que são os pais certos para os filhos certos, sem julgamentos;
  • Acreditando neste trabalho, é possível realizar algumas dinâmicas em sala de aula com os alunos, onde pode ser vivenciado o efeito positivo de todos nossos alunos ;
  • Para que esse amor dê certo é necessário que nós professores ao olharmos para nossos alunos, enxerguemos através deles seus pais, mesmo sem conhecê-los. Os pais nos dão a força para que nos tornemos ativos na vida.

Trabalho com as Famílias

  • É necessário primeiramente conectar-se com a sua família de origem (pai-mãe) sem julgamento, na condição de filho (agradecendo a vida e reverenciando seus pais e antepassados com muito respeito);
  • Compreender que contexto cultural/social essa família vive e respeitar;
  • Estabelecer uma relação “dialógica empática” com estas famílias criando um espaço de confiança, permitindo a ela conectar-se com sua força. Para que possa educar seu filho, responsabilizar-se por ele;
  • Realizar reflexão Crítica/comprometida sobre a história familiar da criança atendida, sem julgamento preconceituosos/moralistas;
  • Definir os papéis/responsabilidades de cada um; - Escola e Família
  • Respeitar a individualidade, crenças e valores de cada um: grupo familiar e de seus colegas de trabalho (respeito e humildade).

Dentro do campo sistêmico, realizamos trabalhos voltados para a comunidade escolar que deseja ajudar a construir uma prática mais consistente entre seus escolares e suas famílias, através de Workshop, terapia individual com crianças/adolescentes, palestras e treinamento aos professores, objetivando realizarem trabalhos sistêmicos com os escolares em sala de aula.